F GUIAUTO: 2010: Um ano para entrar na história

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010: Um ano para entrar na história

O Brasil vive realmente um momento econômico sem igual. E a indústria automobilística foi uma das que colheu mais frutos deste panorama. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, prevê que nos 12 meses de 2010 o mercado interno vai absorver 3,45 milhões de unidades, quase 10% mais na comparação com 2009. Isso sem contar que o setor puxou o crescimento industrial e responde por 10% do PIB – Produto Interno Bruto – nacional. Um quadro próspero baseado na ascensão econômica das classe C e D e no crédito farto. Crédito, aliás, restringido levemente pelas últimas medidas do governo. Nada que freie o otimismo do segmento. "A maior parte do crédito fica abaixo de 48 meses, então só uma pequena parte dos financiamentos será afetada", minimiza Cledorvino Belini, presidente da Anfavea e da Fiat.

As vendas aquecidas do mercado nacional já refletem globalmente. O Brasil desbancou a Alemanha e assumiu a quarta posição no ranking dos países que mais vendem veículos no mundo. Isso, é claro, também fica evidente nas próprias marcas. Particularmente na posição das filiais brasileiras. Só na Volkswagen, o Brasil responde por 17% das vendas totais do grupo. Desta forma, a empresa já anunciou investimentos de R$ 6,2 bilhões por aqui até 2014 para o aumento da capacidade de produção e a ampliação da linha de veículos. "Estamos executando as ações necessárias para atender ao crescimento da demanda de veículos no Brasil", valoriza Thomas Schmall, presidente da Volkswagen do Brasil.

Investimentos, aliás, que somados superam os R$ 35 bilhões até 2015. Até mesmo os chamados "new comers" – marcas que chegaram ao Brasil de 1990 para cá – vão mexer no bolso para comemorar os bons números. A Citroën anotou crescimento de 25% nas vendas e deve fechar o ano com 86 mil unidades. Esta performance é creditada também à expansão da rede. "Foi um ano ativo na expansão de nossa rede de concessionárias, que passou de 130 para 150 casas completas. Isso significa interiorizar cada vez mais a marca, melhorando nosso atendimento de vendas e pós-vendas, em todo o Brasil", acredita Domingos Boragina Neto, diretor comercial da marca.

Outra francesa, a Renault, deve fechar 2010 com 150 mil unidades comercializadas, 35% a mais que 2009. De quebra, a fabricante vai aplicar R$ 1 bilhão no país. "A empresa registrou recorde de desempenho nas operações brasileiras, com alta de 35% nos emplacamentos, 42% na produção e 57% nas exportações, em relação a 2009. O Brasil atualmente é o terceiro mercado da Renault, só perde para França e Alemanha", comemora Jean-Michel Jalinier, presidente da filial brasileira da empresa francesa.

Em meio à celebração dos bons números, os executivos e especialistas do setor fazem coro quanto às principais razões para mais um recorde de vendas. Crédito farto e com prazos longos são os preferidos. Segundo dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras – Andef –, a soma das carteiras de CDC – Crédito Direto ao Consumidor – e leasing para compra de veículos somou R$ 179,4 bilhões nos 10 primeiros meses do anos, 16,3% mais que no mesmo período do ano passado. Este quadro, associado ao aumento da renda média do brasileiro, gerou uma procura por carros e a fuga do transporte público. Estudos apontam que nos últimos cinco anos, 5 milhões de pessoas entraram na classe C – com renda até R$ 3 mil. "O setor tem uma dinâmica muito boa dentro da economia e que responde pelo nível de renda, que está crescendo", analisa Rogério Cesar de Souza, economista chefe do Iedi – Instituto para Estudos do Desenvolvimento Industrial.

Instantâneas

# A produção brasileira de veículos, segundo a Anfavea, deve atingir 3,64 milhões em 2010, 14% a mais que em 2009.
# Dados da Anfavea apontam que a indústria automobilística brasileira vai ter um aumento nos investimentos de 38,2% de 2010 a 2012, em um total US$ 11,2 bilhões.
# As exportações no ano somaram 780 mil unidades e US$ 12,8 bilhões.
# De janeiro a outubro, a produção industrial no país cresceu 11,8%, sendo que só o setor automotivo respondeu por 22% deste crescimento.

Próprias pernas

O Governo Federal deu uma mãozinha, é claro. Desde a crise de setembro de 2008, foram várias as medidas para fomentar o crédito e reduzir o IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados –, um aspecto sempre reivindicado pelo setor automobilístico. O anúncio do fim do desconto na alíquota que incide sobre os carros até gerou uma esperada corrida às revendas em março – tanto que foi o melhor mês do ano, com 353 mil unidades. Mas depois disso, o mercado não esfriou. "Foi um mês emblemático. Mas estamos em constantes ações com feirões e as mesmas condições de crédito. O impacto da falta do incentivo do governo só vai ser sentido a partir de janeiro", acredita Marcos Munhoz, diretor geral de comunicação e de relações governamentais da General Motors.

Para muitos, o impacto nem vai ser tão grande assim. Tanto que as projeções da Anfavea apontam para um aumento de 5,5% nas vendas em 2011. O que reflete uma espécie de amadurecimento do mercado automotivo. "Aumentamos inclusive a nossa previsão de vendas internas para este ano, de 3,4 milhões para 3,45 milhões, em razão do crescimento de vendas destes últimos meses", ressalta Cledrovino Belini, presidente da Anfavea. "O setor reagiu, cresceu a taxas mais altas que a indústria e sem a necessidade de prorrogação do desconto do IPI", afirma Rogério Cesar de Souza, economista chefe do Iedi.

A evolução do mercado brasileiro:

2000: 1,49 milhão
2001: 1,60 milhão
2002: 1,47 milhão
2003: 1,42 milhão
2004: 1,57 milhão
2005: 1,71 milhão
2006: 1,92 milhão
2007: 2,46 milhões
2008: 2,82 milhões
2009: 3,14 milhões
2010*: 3,45 milhões
* Estimativa

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