Um estudo realizado pela NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration), órgão governamental de segurança dos EUA, apontou que 11% das mortes de condutores e passageiros poderiam ser evitadas com o uso do airbag; o número sobe para 14% se apenas forem considerados os motoristas. O levantamento também indicou que o uso conjunto de cinto de segurança e airbag diminuíram em 85% os choques de cabeça do ocupante com a parte interna do veículo.
Em nações de primeiro mundo, mesmo sem obrigação imposta, a maioria dos veículos possui esses itens de segurança nos veículos. Na Europa, por exemplo, em média, de 90% a 95% dos automóveis estão equipados com airbag e freios ABS. No Brasil, qual seria o motivo da ausência desses acessórios?
Para Marcelo Bertocchi, diretor da comissão técnica de segurança veicular da SAE Brasil, uma possível defasagem em termos de segurança em relação aos outros mercados é fruto do excesso de burocratização para se aprovar qualquer medida no País.
Bertocchi observa que a questão tem pouco a ver com a alta no preço final do veículo, embora agregar um airbag ao modelo possa custar, aproximadamente, R$ 2 mil a mais no valor do carro. O executivo admite, no entanto, que a tendência é que o custo final suba.
Resta saber se isso vai impactar as vendas no segmento automotivo no Brasil. Para Mário Guitti, superintendente do IQA (Instituo de Qualidade Automotiva), a iniciativa de incluir mais equipamentos nos carros deve ser muito bem estudada. "A indústria automotiva está preocupada com isto, mas estes itens devem ser fabricados em profusão para ter a viabilidade do investimento", afirmou.
A indústria brasileira já se prepara para isso. A obrigatoriedade do airbag e do freio ABS como itens de série segue um cronograma. No ano passado, 8% da produção já se adequou à norma; neste ano, 15% das plataformas devem se modificar para atender a lei. Em 2012, 30% da fabricação devem estar apta; posteriormente, 60% em 2013 e, em 2014, a totalidade da produção nacional.
A expectativa da indústria é de que a economia da produção em escala não eleve em excesso o valor do veículo. Nesse sentido, articulações já estão em andamento entre as montadoras e seus fornecedores, além da adequação das linhas de produção.
Bertocchi afirma, entretanto, que se a cultura brasileira fosse outra, os itens talvez já equipariam os veículos há muito tempo. "Ficou muitas vezes provado que o consumidor brasileiro prefere outros acessórios como jogo de rodas de liga leve ou CD player ao airbag e demais equipamentos de segurança", relatou.
A inclusão do airbag e ABS, inegavelmente, aumenta a proteção aos condutores e passageiros, todavia, o superintendente do IQA, lembra que a fiscalização e manutenção preventiva são fundamentais para a diminuição de acidentes. E afirma que assim como hoje existe a inspeção veicular para emissão de poluentes, no futuro, haverá avaliação para averiguar quão seguro é um automóvel.
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