F GUIAUTO: Segurança automotiva pede atenção

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Segurança automotiva pede atenção

Se o desenvolvimento da economia brasileira segue de vento em popa – no ano passado o PIB registrou um avanço de 7,5%, o maior em mais de duas décadas -, quando o assunto é segurança automotiva o País ainda é visto como atrasado em muitos aspectos. A preocupação do Estado Nacional com a obrigatoriedade de itens de segurança nos automóveis é recente; o uso de acessórios como o cinto de segurança, por exemplo, é obrigatório desde 1994, apenas, e o airbag e freios ABS terão que integrar a lista de itens de série dos carros, por lei, somente em 2014.

Um estudo realizado pela NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration), órgão governamental de segurança dos EUA, apontou que 11% das mortes de condutores e passageiros poderiam ser evitadas com o uso do airbag; o número sobe para 14% se apenas forem considerados os motoristas. O levantamento também indicou que o uso conjunto de cinto de segurança e airbag diminuíram em 85% os choques de cabeça do ocupante com a parte interna do veículo.

Em nações de primeiro mundo, mesmo sem obrigação imposta, a maioria dos veículos possui esses itens de segurança nos veículos. Na Europa, por exemplo, em média, de 90% a 95% dos automóveis estão equipados com airbag e freios ABS. No Brasil, qual seria o motivo da ausência desses acessórios?

Para Marcelo Bertocchi, diretor da comissão técnica de segurança veicular da SAE Brasil, uma possível defasagem em termos de segurança em relação aos outros mercados é fruto do excesso de burocratização para se aprovar qualquer medida no País.

Bertocchi observa que a questão tem pouco a ver com a alta no preço final do veículo, embora agregar um airbag ao modelo possa custar, aproximadamente, R$ 2 mil a mais no valor do carro. O executivo admite, no entanto, que a tendência é que o custo final suba.

Resta saber se isso vai impactar as vendas no segmento automotivo no Brasil. Para Mário Guitti, superintendente do IQA (Instituo de Qualidade Automotiva), a iniciativa de incluir mais equipamentos nos carros deve ser muito bem estudada. "A indústria automotiva está preocupada com isto, mas estes itens devem ser fabricados em profusão para ter a viabilidade do investimento", afirmou.

A indústria brasileira já se prepara para isso. A obrigatoriedade do airbag e do freio ABS como itens de série segue um cronograma. No ano passado, 8% da produção já se adequou à norma; neste ano, 15% das plataformas devem se modificar para atender a lei. Em 2012, 30% da fabricação devem estar apta; posteriormente, 60% em 2013 e, em 2014, a totalidade da produção nacional.

A expectativa da indústria é de que a economia da produção em escala não eleve em excesso o valor do veículo. Nesse sentido, articulações já estão em andamento entre as montadoras e seus fornecedores, além da adequação das linhas de produção.

Bertocchi afirma, entretanto, que se a cultura brasileira fosse outra, os itens talvez já equipariam os veículos há muito tempo. "Ficou muitas vezes provado que o consumidor brasileiro prefere outros acessórios como jogo de rodas de liga leve ou CD player ao airbag e demais equipamentos de segurança", relatou.

A inclusão do airbag e ABS, inegavelmente, aumenta a proteção aos condutores e passageiros, todavia, o superintendente do IQA, lembra que a fiscalização e manutenção preventiva são fundamentais para a diminuição de acidentes. E afirma que assim como hoje existe a inspeção veicular para emissão de poluentes, no futuro, haverá avaliação para averiguar quão seguro é um automóvel.

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