Em janeiro de 1994, QUATRO RODAS dedicou dez páginas ao modelo que prometia revolucionar a categoria de carros populares. O segmento que até então contava com Uno Mille, Gol 1.000 e Escort Hobby foi sacudido pela novidade trazida do outro lado do Atlântico. Foram apenas dez meses de diferença entre o lançamento do Opel Corsa e a chegada do modelo no Brasil.
O Corsa era impressionante por todos os lados. A carroceria de linhas arredondadas transpirava modernidade diante dos rivais quadradões. Ao volante, o carro agradava pelo conforto, resultado de uma suspensão que garantia "maciez em pisos irregulares, assimilando as trepidações sem repassá-las", nas palavras de Eduardo Pincigher.
Por dentro, o acabamento era simples, mas bem cuidado. Pincigher elogiou a empunhadura do volante e a boa visibilidade. Dois detalhes presentes "apenas em automóveis mais luxuosos" daquela época não passaram desapercebidas: os porta-objetos nas portas e a bandeja porta-copos na parte interna da tampa do porta-luvas. O Corsa nem parecia um carro popular.
Para os brasileiros, a melhor notícia estava na hora de assinar o cheque. O Corsa era mais moderno que os rivais, mas custava 7.350 dólares, valor este na média da concorrência.
O resultado foi inevitável: milhares de consumidores procuraram as concessionárias Chevrolet, que começaram a vendê-lo com ágio de até 50% - elevando seu preço para 11 mil dólares. Diante da alta procura, até o presidente da GM naquela época, André Beer, foi à televisão pedir para que os clientes esperassem o aumento da capacidade produtiva do carro.
O Corsa continuou firme no mercado até 2002, quando foi substituído por uma nova geração, com tecnologia também proveniente da Europa. O hatchback saiu de linha há alguns anos, mas a família Corsa continua representada nas ruas pelo Classic, que nada mais é do que uma versão mais despojada do Corsa Sedan.

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