F GUIAUTO: Chineses já têm um quarto do mercado de carros importados

terça-feira, 17 de maio de 2011

Chineses já têm um quarto do mercado de carros importados

A insegurança na hora de comprar um carro vindo da China está cada vez mais distantes dos consumidores brasileiros. Os asiáticos invadiram o mercado nacional e os carros vindos da China já representam cerca de um quarto do volume de veículos importados emplacados no Brasil no primeiro trimestre deste ano. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), dos 35.430 veículos importados no período, 8.168 vieram da China. No mesmo período do ano passado, a participação chinesa nos segmentos de importados não passava de 8%.

Deixando para trás marcas clássicas britânicas, americanas e italianas, os chineses aproveitam-se da mão-de-obra mais barata para vender com preços mais competitivos e também das facilidades de importação para o Brasil acelerar no mercado de importados e ampliar sua fatia de participação.

Números preliminares dos resultados do mês de abril antecipados pelas montadoras chinesas ao Brasil Econômico apontam que a participação do país asiático no mercado de importados deve ultrapassar os 30%. Até o fim do ano, este índice pode alcançar os 40% segundo consultores de mercado. Os principais responsáveis pela ascensão chinesa são as marcas Jac Motors, Chery, Chana e Haima, com índices de crescimento que alcançaram 60% em comparação com o ano passado.

"Qual o problema de comprar um carro chinês?", questiona Sérgio Habib, responsável pela entrada da Jac Motors no país ao ser indagado sobre onda chinesa no Brasil. O empresário afirma que esta participação tende a crescer e que para isso as montadoras mais tradicionais vão perder espaço nos próximos anos. "Em 2003 as quatro principais montadoras do país tinham cerca de 84% do mercado de veículos brasileiros, este número passou para 73% no ano passado e deve diminuir neste ano", afirma o empresário. Segundo ele, de brigar pelo segmento de importados, as marcas chinesas vislumbram participação de até 5% no mercado total de veículos do país em cerca de cinco anos.

Segundo Habib, os consumidores buscam novidades aliadas a preços baixos. "Antes havia dificuldades na rede de serviços pós-venda, mas chegamos para acabar com isso e brigar por espaço no mercado", diz, destacando a inauguração de sua rede de 53 concessionárias em março.

No primeiro mês de atuação efetiva da Jac Motors no país, a marca comercializou 458 veículos. Dados do mês de abril mostram um salto para 2.095 unidades. Apesar de já ter iniciado as vendas antes da inauguração da rede de lojas por meio de experimentações como " concessionárias modelo", localizadas em pontos estratégicos de São Paulo e Rio, Habib comemora os números atingidos em tão pouco tempo de atuação. "Vamos vender cerca de 35 mil carros neste ano e temos planos mais agressivos para o ano que vem", afirma.

Uma das principais estratégias dos importadores é apostar em veículos de entrada. De olho no maior poder aquisitivo dos brasileiros, as marcas chinesas trazem modelos para brigar pelos "novos consumidores". "Com R$ 22,9 mil é possível comprar um carro da marca Cherry, o modelo QQ. Com este valor você não consegue comprar um carro de marcas como Ford e Volkswagen. Além disso, quem pode pagar um pouco mais leva um carro completo da Jac Motors, o J3, por R$ 37.990", explica Fábio Roussoun, consultor de mercado automobilístico. Segundo ele, além de movimentar o mercado de importados e mexer com grandes peças do segmento, as marcas chinesas devem preocupar ainda mais as montadoras com atuação nacional. "Em um curto prazo a estrutura destas marcas será efetiva e vai atrair ainda mais consumidores. As grandes montadoras vão precisar correr para não perder participação de mercado", diz o consultor.

Abrir fábricas no país será o próximo passo

Os investimentos chineses no mercado automotivo brasileiro devem ganhar força nos próximos dois meses. Segundo Abdul Majid Ibraimo, presidente da Districar, empresa representante das marcas chinesas Haima e Chana e da sul-coreana SsangYong, já esta certa a construção de uma fábrica no país. "Estamos em contato com quatro estados brasileiros e vamos montar uma unidade fabril no formato CKD (as peças são importadas e os veículos montados no Brasil)".

A unidade será responsável pela montagem de todos os veículos das três marcas que forem comercializados no Brasil. O Executivo, porém, ainda não divulgou o volume estimado de produção nem o investimento necessário para a construção da fábrica. "Isso mostra nossa confiança no Brasil, sabemos que há potencial de crescimento por aqui", disse Ibraimo.

Problemas com homologação de produtos atrasaram a chegada de modelos da marca Chana. Previstos para estrear em solo brasileiro no segundo trimestre deste ano, os modelos de passeio Benni Mini (cerca de R$ 29 mil) e Alsvin (cerca de R$ 35 mil) só devem começar a ser comercializados em agosto. "A grande quantidade de marcas interessadas no Brasil acabou atrasando o processo de homologação e teremos de esperar um pouco mais para concretizar nossos planos", explica Ibraimo. A estimativa é comercializar cerca de quatro mil unidades dos modelos até o final deste ano.

Além destes veículos, a Chana também passará a comercializar a minivan CX20, um concorrente direto para o Idea da Fiat, no começo do próximo ano.

A chinesa Haima também teve contratempos com os processos de homologação e só passará a comercializar seus modelos em 2012. "O ano que vem será um grande ano para a Districar, com chegada de produtos, aumento nas vendas e uma fábrica no Brasil", afirma Ibraimo.

Tendência

Segundo o executivo, a tendência de crescimento da participação dos veículos chineses no mercado nacional é crescente. "Há 15 anos todos duvidavam das marcas coreanas e hoje elas são uma realidade. Com os produtos chineses é a mesma coisa, ainda há muitas dúvidas, mas em três ou cinco anos isso tudo será passado e vamos provar que são produtos de qualidade que poderão ser comparados aos coreanos, japoneses e até mesmo europeus", disse Ibraimo.
   

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