F GUIAUTO: Indústria automotiva nacional deve ajudar matrizes a equilibrar contas

terça-feira, 17 de maio de 2011

Indústria automotiva nacional deve ajudar matrizes a equilibrar contas

O crescimento no mercado de automóveis no Brasil, a partir de meados da década passada, tem garantido à maior parte das empresas do ramo que atuam no país lucro suficiente para reinvestir na ampliação da produção local e ainda enviar parte dos ganhos à matriz. É uma tendência que não deve ser interrompida pelo menos até o final desta década, afirma Alexandre Andrade, consultor especialista da indústria automobilística na Tendências Consultoria.

Depois de fazer a ressalva de que não dispõe de números específicos sobre o envio de remessas de lucros das fabricantes ao exterior, Andrade afirma que é bastante provável que a maioria esteja batendo metas e ainda garantindo sobra de caixa, por causa do crescimento vertiginoso das vendas. Nos próximos anos, mesmo com a entrada de outros competidores, ele diz que acha difícil que o cenário se modifique muito. Isso porque, prevê, o mercado deverá crescer entre 8% e 9%, pelos próximos dez anos. "O que aconteceu e vai continuar a acontecer é um aumento da demanda acima da média em países emergentes, como o Brasil", diz o consultor.

Contribui ainda para a continuidade das remessas o fato de os países centrais, onde estão a sede de muitas das mais tradicionais companhias do setor automotivo, permanecerem enfraquecidos após a crise financeira internacional de 2008.

Companhias automobilísticas com produção no Brasil, como Ford, Volkswagen e GM, não confirmaram se estão ampliando, reduzindo ou mantendo o volume de remessas de lucros às matrizes. A maioria delas, porém, tem anunciado planos de ampliação dos investimentos no Brasil.

Reconstrução

Especula-se também sobre a possibilidade de empresas japonesas aumentarem o envio de remessas de lucros às suas matrizes, para compensar perdas causadas pelo terremoto, seguido pelo tsunami e pelo acidente nuclear que abalaram o país no início deste ano. Não há, porém, até agora, sinais concretos de que isso vá ocorrer.

Segundo Nobuharu Imanishi, conselheiro-chefe do departamento de economia da embaixada japonesa no Brasil, só quem pode responder a questão são as matrizes das companhias com operações no Brasil. "Não temos daqui acesso a esse tipo de informação interna das empresas", diz. "E, pelo que tenho lido nos jornais japoneses, isso não está acontecendo".

Tecnologia

Outra indústria que ampliou em anos recentes o envio de lucros ao exterior foi a de tecnologia da informação (TI). Neste caso, porém, há quem desconfie que pode estar havendo uso indevido do recurso. "O mercado está aquecido, mas a competição é grande e os lucros não crescem na mesma proporção", afirma Roberto Mayer, vice-presidente de relações públicas da Associação Nacional das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro Nacional). "Cabe a dúvida de que se trata de manipulação contábil". Segundo ele, esta seria uma forma de pagar fornecedores lá fora ou trazer para cá tecnologia sem pagar impostos. A remessa de lucros é a única operação não taxada atualmente, afirma. E só vale para multinacionais.
   

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