F GUIAUTO: GM: Missão de preservar a história contida em cada tijolo

terça-feira, 21 de junho de 2011

GM: Missão de preservar a história contida em cada tijolo

Instalações elétricas, tubulações, concreto, tijolos e até a tinta das paredes de seis prédios da General Motors da planta de São Caetano do Sul serão retirados com o mesmo cuidado dispensado por um mecânico que desmonta os sistemas de arrefecimento de um modelo Chevrolet – um dos componentes hoje submontados nestes edifícios de mais de sessenta anos, sem possibilidade de continuidade por sua arquitetura e leiautes antiquados.

Pela primeira vez na história do Brasil uma indústria privada propôs ao IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a desconstrução completa de um edifício – desde a retirada dos materiais até o seu reaproveitamento ou, na impossibilidade do mesmo, encaminhamento para o reuso. Com a iniciativa a GM, além de ajudar o meio ambiente, reduzirá em 10% o custo total da obra e ajudará a, de certa forma, a preservar a sua história.

Claudio Éboli, diretor de projeto e instalações para América do Sul, conta que os prédios foram adquiridos de empresas que estavam ao redor da GM, durante os seus mais de oitenta anos de presença no ABC paulista. As distâncias entre colunas menores que o padrão das instalações da montadora, bem como os desníveis de solo, precisariam ser eliminados para atender às atuais necessidades.

A solução, imediata e sem dúvida mais rápida e fácil, seria a demolição. No entanto o impacto ao meio ambiente e até ao dia-a-dia da empresa seriam imensos – Éboli calcula que durante um ano em média vinte caminhões, número que seria bem superior no período de pico da obra, circulariam dentro da fábrica e nas avenidas da cidade gerando congestionamentos, emissão de poluente e outros transtornos.

"Por mais respeito que um aterro industrial tenha ao meio ambiente, um aterro industrial é um aterro. Ao mesmo tempo, para erguer o prédio que substituirá estes seis precisaríamos comprar mais material, como a terra necessária para nivelar todo o terreno. Por isso decidimos usar o máximo de material ali disponível na própria obra."

O concreto será moído e virará brita do próprio concreto. A madeira, boa parte dela peroba rosa, licenciada para a venda no mercado – segundo Éboli é muito usada em decoração. Outros itens como lâmpadas, tubulações, tijolos etc., serão reaproveitados nas novas instalações, de 40 mil m2. Nem a pintura terá descarte: a tinta será raspada e enviada para recuperadores. "Queremos mandar o mínimo possível para aterros".

O impacto ao cotidiano da planta será próximo de zero. A obra foi dividida em seis fases: enquanto o primeiro prédio estiver em desconstrução, um espaço de apoio será preparado para sediar a área desocupada. E assim seguirá até a conclusão de toda a obra. Ou seja: nenhuma das áreas – estoque de peças e sequenciado de materiais, escritórios e áreas técnicas específicas, como montagem de subconjuntos, controle de qualidade e docas de recebimento e despacho – precisará parar durante o processo.

O novo prédio terá arquitetura moderna e mais adequada às necessidades atuais da GM. Mas os seis que hoje ali estão de certa forma continuarão ali, compondo o novo visual. Seus sessenta anos de história, assim, não serão jogados no lixo – ou, no caso, no aterro industrial.
   

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